‘generoso, em vez de refestelar-se na sua fabulosa poltrona, continua ativo’ lucio costa
Em 1957, quando a arquitetura brasileira caminhava para a síntese formal e de materiais, o arquiteto e designer Sergio Rodrigues criou a Poltrona Mole – peça mais emblemática de sua produção, que permanece fértil até os dias de hoje.
Na época já tinha se aventurado em trabalhos para o Governo, para terceiros e em sua própria empresa. A liberdade de suas linhas impressionaram o mundo e trouxe para casas austeras o toque de humor e conforto que, mais adiante, identificariam o estilo brasileiro de morar. Sua filha, Veronica Rodrigues – também arquiteta e parte importante da equipe do pai –, fala sobre ele e os caminhos de sua criação.
“Sergio Rodrigues nunca se considerou um designer e, observando sua trajetória, pode-se compreender por quê. Trabalha no limite entre a arquitetura e o design. Para ele, é impossível dissociar as peças de quem as usufrui e do ambiente. Sempre buscou preencher o hiato que percebe entre a arquitetura e o homem.
Nossa família sempre foi numerosa e a casa dos avós tinha espaços permissivos: os jantares eram barulhentos e tudo era compartilhado. A comida era farta e servida nas melhores louças e cristais. Ali, comida boa era para ser comida, poltronas e sofás deveriam ser usados, sala de estar era para se estar junto, ficar, permanecer..."
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