são Paulo, caótica, bagunçada e maravilhosa, acolhe seus cidadãos como uma “mãe ossuda” abraça seus filhos: de um jeito ao mesmo tempo aconchegante e um tanto desagradável. ao olhar para os desenhos de a(e)rea paulista, de carla caffè - coletânea publicada num lindo livro sanfonado - como não ver nos ícones da avenida paulista uma graça sem par?
Carla Caffè fez da cidade um laboratório de descobertas, através de seu olhar aguçado e da delicadeza do pincel. Para ela, “um jeito novo de olhar a cidade é usufruir as ruas de uma maneira inusitada, é sair para desenhar as esquinas e provocar um encontro inesperado, uma surpresa no nosso dia-a-dia”. Experimentar a cidade de todo dia a partir de outra perspectiva é surpreender-se por seus detalhes invisíveis – mesmo que estes sejam fisicamente monumentais. Significa recuperar aquele olhar saudoso que retorna de um longo tempo fora, seja transportando suas impressões para o papel ou indo ao mesmo lugar por um novo caminho. O que se vê no mar de imagens pode ser um caos indiferenciado ou uma riqueza de cores e formas, de um patrimônio arquitetônico que guarda as desventuras e os sucessos da maior cidade do país.
“Com um pequeno gesto podemos alterar o cotidiano massacrante da cidade, basta arriscar e riscar o caderno”, declara Carla. Desse pequeno gesto surge uma São Paulo colorida e cheia de poesia, com memória e identidade.
O livro A(e)rea Paulista, das edições Tijuana, teve tiragem limitada de 30 cópias, assinadas pela artista. Para mais informações, acesse carlacaffe.com.br ou tijuana-vermelho.blogspot.com.br